segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Só paraense para entender...

A seguir, um texto que recebi por e-mail que só paraense entende. Abaixo a tradução dos termos


Um dia eu tava buiado, pensei em ir lá em baixo comprar uns tamatá. Tava numa murrinha, mas criei coragem, peguei o sacrabala e fui. Cheguei tarde, só tinha peixe dispré. O maninho que estava vendendo tinha uma teba duma orelha do tamanho dum bonde. O gala-seca espirrou em cima do tamatá do aru que tinha acabado de comprá. Ficou tudo cheio de bustela...Axiiiiiii, porcaria! Não é potoca, não. O dono do tamatá muquiou o orelha-de-nós-todos, mas malinou mesmo.
Saí dalí e fui comer uma unha. Escolhi uma porruda! Égua, quase levei o farelo depois. Me deu um piriri. Também...perece leso, comprar unha no veropa.
Comprei uns mixilhão, um cupu e um pirarucu, muito fiiiiiirme, mas pitiú paca. Fui pra parada esperar o busão. Lá tinha duas pipira varejeira fazendo graça. Eu pensei logo ...ÊEEEE, ela já quer... Mas, veio um Paar-Ceasa sequinho e elas entraram...
Fiquei na roça, levei o farelo. O sacrabala veio cheio e ainda caiu um toró.
Égua-muleki-tédoidé, pense num bonde lotado.
Eu disse: éguaaaaaaaa, vô mimbora logo.
No sacrabala lotado, com o vidro fechado por causa da chuva, começa aquele calor muito palha.
Uma velha estava quase despombalecendo.
Daí o velho que tava com ela gritava "arreda menino pra senhora sentar aí do teu lado".
O menino falou: "Humm, tá, cheiroso...!". Eu me abri!!!

Glossário:
Buiado: cheio da grana
Embaixo: centro da cidade
Tamatá: modo de falar tamuatá que é um tipo de peixe
Murrinha: preguiça
Sacrabala: apelido da linha de ônibus Sacramenta-Nazaré. Como é uma linha perigosa, ganhou o apelido de sacrabala
Dispré: vem de dispresença, quer dizer coisa de má qualidade
Maninho: apelido de todo mundo, mano e mana
Teba: designa coisa grande
Gala-seca: abestado
Aru: mais abestado
Axiii porcaria: interjeição de nojo
Potoca:mentira
Muquiou: judiou, machucou
Malinou: machucou
Unha: unha de caranguejo, um tipo de salgado, a nossa coxinha de galinha
Porruda: grande
Égua: interjeição que vale pra tudo
levei o farelo: me dei mal
piriri: dor de barriga com diarréia
leso: distraído
veropa; mercado do Ver-o-Peso
mixilhão
cupu: jeito carinhoso de chamar cupuaçu. Fruto da amazônia de sabor forte
pirarucu: peixe típico da bacia amazônica
firme: bom
pitiú: cheiro característico de peixe, depois que ele é pescado há muito tempo
pipira varejeira: vagabunda
Paar-Ceasa:outra linha de ônibus. As linhas aqui são identificadas pelos bairros da rota.
Fiquei na roça: fiquei frustrado, chateado, me dei mal.
Toró: chuva forte
Égua-muleki-tedoidé: forma de dizer, égua, moleque, vc tá doido?
bonde: ônibus
vô mimbora: vou embora
palha: desagradável
despombalecendo: desmaiando
Arreda aí: vá mais para o lado
Tá, cheiroso: essa é difícil de traduzir. Mas é uma maneira irônica de se dizer que não vai fazer.
Abri:Morri de rir


E isso me lembrou o dia que minha amiga paulista Alice veio almoçar aqui em casa. Uma hora que eu passei na sala, ela perguntou: - Quer ajuda? - e eu respondi: - Mas quando!!
Um pouco mais tarde ela pergunotu novamente: - Quer ajuda?- e eu respondi: - Mas quando!!.
E ela perguntou: - Mas quando quer dizer que não?
Eu nunca tinha percebido que essa era uma expressão só daquique sói a gente entende.
Tanto como brear, que quer dizer suar, paidégua que quer dizer super legal, canto que quer dizer esquina, além, claro, da mania de todo mundo se chamar de mano ou mana.
E na terra de vcs? O que tem de mais engraçado na hora de falar?

3 comentários:

Sra. Mari disse...

aahhh aqui em minas é tudo engraçado na hora de falar ! rsss Isso é o que o povo de fora acha ! rsss
Vc ja deve ter visto muitos textos do jeito que só mineiro entende, no orkut tem ate uma comunidade que chama "Ês pens cu ôns é dês" traduzindo Eles pensam que o onibus é deles. rsss

Bjocas

Cynthia Barreto disse...

Aqui no RJ temos vááárias gírias...rs!! Mas não me recordo de nenhuma engraçada agora...rs!!

Adorei o texto!

Beijos!

Luciana disse...

Paola, amiga como boa nordestina: não entendi quase nada do texto! Se não fosse o glossário, ia ficra boiando... acho o máximo nosso país e essa nossa grande riqueza... temos várias expressões como: rebolar no mato, ou seja, jogar fora! Beijo