quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Questão de consciência


Quando eu tinha 11 anos de idade (acreditem, minha memória autobiográfica é muito boa), estava na 5ª série do então 1° grau, minhas colegas de sala fizeram uma chapa para concorrer ao grêmio estudantil. Como eram crianças, a chapa se chamava milkshake ou sundae de chocolate, ou qualquer outro ítem comestível muito calórico. E as promessas eram do mesmo nível: o uniforme tinha que ser mais fashion, coca-cola no bebedouro, essas coisas. Eu fui cabo eleitoral e tudo. Torci, fiz camisa, faixa, o diabo.

A favorita era uma chapa chamada Mudança, de uma galera mais velha, acho que do segundo ano do segundo grau, o que na época era uma distância incrível! Fase em que 5 anos de diferença pareciam 20 e a gente se intimidava só de estar do lado deles.

No dia da eleição, exatamente na hora do voto, o anjinho soprou no meu ouvido. Sabe aquele momento de filme que toda a vida passa pela cabeça do personagem, que dura dez minutos pra quem tá assistindo, mas na trama mesmo dura apenas alguns segundos? Foi exatamente isso que aconteceu. Juro que do alto dos meus 11 aninhos cheguei à conclusão que a chapa que eu tava fazendo campanha não teria a mínima chance de fazer qq coisa que prestasse pela escola, afinal, as integrantes eram todas muito novas e as promessas, enfim, eram absurdas. A outra chapa, a Mudança, fez uma campanha bacana e se alguém podia fazer alguma coisa pelos alunos, era ela, um povo mais maduro e mais consciente e que, se duvidar, já até votava.

Marquei o xis lá, no quadrado da Mudança e guardei esse segredo até hoje.

Contei isso em casa e lembro da minha mãe tentando disfarçar orgulho.

Meu filho João Lucas está aprendendo sobre as eleições e três poderes na escola e nós temos conversado bastante sobre eleições aqui em casa Já tocamos nesse assunto de voto consciente várias vezes, o que me fez lembrar dessa historinha.

Não sou lá muito politizada, acompanho superficialmente a campanha dos candidatos, tento estar informada, mas não sou muito engajada pq, particularmente, acho que gente muito engajada é um saco. Mas isso me lembra que, se na época eu já dava importância ao meu voto, numa eleição de grêmio estudantil, imagina agora, que eu posso decidir o presidente do país?

Sei lá, isso me despertou um senso cívico que estava adormecido.


PS: Obrigada pelas palavras de carinho no post anterior. Me senti beeem menos carente. Amo vcs!

5 comentários:

Juh** disse...

Eu tbm ja fiz isso rs... estava em uma chapa e votei na outra pq eles eram mais velhos e tinham uma proposta beeeeeem melhor!
Quanto a minha altura e meu pé vc esta super certa, ele é mesmo muito pequeno rs... O seu é que é normal!!
beijocas

Bianca Bueno disse...

Eu era mais engajada aos 11 anos e hoje sou como você.

De fato eu só observo, só isso. E não muito de perto.

Morro de vontade da Coca Cola no bebedouro, mas oro mesmo para que anjinhos soprem o voto correto nos eleitores. Não no meu, pois não atualizei meu título que é de outro estado e vou justificar sem culpa, pois não sei em quem votar. :(((

Elisa disse...

É Paola.
Eu como educadora sinto admitir que as coisas não estão mais como eram antes.
Você está fazendo pelo seu filho o que nós deveríamos informar aos nossos, e não deixar tudo à cargo da escola, e dos professores.
Eu tbm não sou politizada(E tbm acho um saco quem é) mas sei falar sobre o assunto sem passar vergonha!
Continue instruindo seu filho, para que ele possa ser um cidadão consciente!

Bjs!

Ana Célia disse...

Adorei a estória dos 11 anos. Muito interessante sua percepção, naquela idade, do melhor.
Quanto à politica, a gente não deve manter uma distância grande porque ao nos atualizarmos com tudo que está acontecendo, formamos nossas opiniões..
Acho que não devemos nos alienar, principalmente num momento como esse.
Por nos mantermos distante é que o PT faz o que quer com os orgãos de estados que estão aí para servirem nós, os cidadões, e são usados como um braço do partido. Quebrando regras constituicionais como violar sigilos fiscais etc..
Nessas horas é que penso que se fosse argentina estaria nas ruas batendo panelas, se fosse francesa estaria nas ruas, participando dessa greve geral que está começando por lá. Mas, no Brasil, não temos lideranças que nos leve às ruas para protestar contra os mal-feitos.
Resta a nós fazer a sua parte e votar no menos pior.

Janinha disse...

Puxa que legal sua consciência naquele momento... e sua memória tb é esplendorosa... vc se lembra de cada coisa... eu sou péssima. Bjocas