sexta-feira, 29 de agosto de 2008

No escuro

Ontem, quando eu cheguei em casa, tinha faltado energia no prédio. Quem sabe onde eu moro, sabe também que o prédio é antigo e que não tem gerador. Subi os sete andares de escada, mas até que passaram bem rápido, pois eu estava falando no telefone com o Leo. Cheguei em casa. E agora? O que fazer sem energia?

Não podia ler, não podia ver tv, não podia acessar a internet... nada daquilo que fazemos automaticamente quando estamos em casa. Então, eu tinha que achar alternativas para não morrer de tédio, já que o porteiro tinha me dito que a luz não ia voltar tão cedo.

Foi aí que eu me lembrei de um texto da Maitê Proença em que ela falava sobre o silêncio...Ela dizia que aquela pessoa que não conseguia conviver com o silêncio, era uma pessoa que não conseguia conviver consigo, que tinha receio de entrar no seu mundo interno e se enfrentar, enfrentar seus medos, suas fraquezas, suas preocupações. Tinha que procurar estímulos externos que o distraíssem de si mesmo. Esse texto me tocou imediata e profundamente e me fez deparar com várias dificuldades minhas.

Assim, ontem eu não tinha outra alternativa senão me aturar. Sabe aquela história do "o que não tem remédio, remediado está?". Pra que eu ia me estressar com a falta de energia se nao ia adiantar nada? E, olha, foi uma lição e tanto! Primeiro, eu venci meu medo de fogo e acendi fósforos sozinha pra ligar o fogão e acender as velas. Meu irmão deve estar morrendo de orgulho de mim! Fiz o meu jantar com muita tranquilidade, sem pressa de fazer rápido pra comer logo, ou ansiosa para assistir a algum programa de televisão. Fiz uma coisa simples, mas que eu estava realmente com vontade e saudade de comer (torradas com ovo e queijo e chocolate quente). Comi com muito mais calma que o habitual, à luz de velas, saboreando cada mordida e cada gole. Não apenas me alimentei, mas realmente tive prazer em fazê-lo.

Já que não tinha nada para fazer depois, tomei banho com a maior serenidade do mundo, sem pressa, sem agonia. Passei todos os meus cremes, me vesti com um pijama bem gostoso. Durante todo esse processo eu consegui só pensar em coisas legais. Pensei nos meus planos, nas mudanças que quero fazer aqui em casa, nas roupas que quero mandar fazer (descobri uma costureira ótima!), na saudade que tava sentindo do meu filho, dos meus pais, da minha avó.... Mas não pensei neles de uma maneira triste, pensei com ternura, com uma felicidade no coração que há tempos não sentia. Amei esse meu momento de terapia comigo mesma.

Depois, comecei a fazer coisas que não fazia há tempos, por pura falta de oportunidade. A vida é tão corrida que nos tira a chance de fazer coisas básicas: liguei pro meu irmão e passei horas valiosas com ele no telefone. Conversamos sobre tudo, política, direito, segurança pública, família. Liguei pra minha amiga Carolina e tbm tricotamos horrores! Colocamos o papo em dia! E ouvi Madonna no meu MP4 deitadinha na cama, prestando bastante atençao na letra de cada música.

Enfim, foi uma noite bastante produtiva.

Até a dor de cabeça que estava me perturbando há três dias, deu uma trégua. Lógico que ela voltou hoje com força total. Acho que eu preciso de outra noite dessas.

Merecem destaque: a costureira maravilhosa que achei, a Conci. Ta fazendo um vestido para meus próximos casamentos, e pelo jeito vai fazer muitos outros. Vou renovar meu guarda-roupa por um preço muito mais legal.
Ter encontrado com minha tia Sheila ontem. Qtas saudades que eu estava dela!!!

Beijos a todos e até a próxima

Um comentário:

Bianca disse...

Nossa!!! Que aprendizado!!! Acho q eu teria descido os sete andares, ligado pra alguém e teria ido lanchar em algum canto ou dar uma volta. Da próxima vez que faltar luaz, vou repensar e lembrar de ti!!
Não sabia do medo de fogo!! Depois me conta essa!
Olha, me deu muita vontade de tomar chocolate quente enquanto terminava de ler e, sobre a costureira, já perguntei p várias pessoas e ninguém soube me indicar uma com preçco razoável! Depois vou querer o tel e endereço, pode? Manda pro meu e-mail?
Beijinhos!